Por que os líderes falham?

Por que líderes inteligentes com histórico comprovado, por vezes, de repente, começam a tomar decisões ruins? Inúmeros exemplos bem conhecidos mostram que o estresse e seu impacto sobre as habilidades cognitivas e emocionais podem fornecer pelo menos uma explicação parcial do que chamamos de liderança catastrófica.

A capacidade cognitiva (QI) e habilidades de inteligência emocional (IE) são necessárias para o líder ser bem-sucedido no desempenho em todos os níveis. Recentes descobertas combinadas com a experiência e pesquisa sobre liderança, stress, QI e IE, ao longo dos últimos 25 anos, indicam que, quando o nível de estresse de um líder é suficientemente elevado, prejudica significativamente a utilização do QI e da IE em conjunto para tomar decisões oportunas e eficazes.

Encontrar, recrutar e contratar líderes talentosos com altos índices de QI e IE é apenas a primeira batalha da guerra, que vai ser ganha ou perdida por aqueles que são capazes de controlar o estresse a nível individual e organizacional.

Altos níveis de estresse negam talento, habilidades, capacidades e inteligência emocional que o líder possa ter.

Inteligência cognitiva e liderança

Pesquisas demonstram claramente que a capacidade cognitiva (QI) impacta diretamente no desempenho do líder (Schmidt & Hunter, 1998; Sternberg , 2001; Thompson , 2007). Schmidt e Hunter (1998) reviram 85 anos de pesquisas sobre liderança e descobriram que a capacidade mental geral (QI) foi um forte indicador de sucesso da liderança. À medida que a complexidade do trabalho aumenta, também tem que aumentar o valor do QI.

Pesquisas empíricas sobre a relação do QI com o desempenho do líder nos últimos 25 anos confirmam que a capacidade de aprendizagem e velocidade de processamento de informação fazem uma contribuição significativa para o desempenho da liderança, especialmente nos níveis mais elevados do papel de líder.

Inteligência emocional e liderança

Ao longo da última década, uma grande quantidade de dados tem sido acumulada mostrando que a inteligência emocional desempenha um papel significativo no sucesso ou fracasso do líder, especialmente nos níveis mais altos. Existem alguns relatos que sugerem que a IE pode ainda desempenhar um papel maior no sucesso do líder do que o próprio QI (Goleman, 1995; Cherniss , 2004). Inteligência Emocional é definida como a capacidade inata de uma pessoa para perceber e gerenciar as suas próprias emoções de uma forma que resulte em interações bem-sucedidas com o ambiente, e se outras pessoas estão presentes, também para perceber e gerenciar as suas emoções de uma forma que resulta em interações interpessoais bem-sucedidas (Thompson, 2006). Note que essa definição não requer interação com outra pessoa.

A inteligência emocional envolve o gerenciamento e controle da consciência e a avaliação das emoções e ações de uma maneira que produz bons resultados, seja na presença ou ausência de outros. Quando a mistura certa entre o pensar cognitivamente é combinado com a quantidade certa de emoção, uma pessoa pode tomar decisões adequadas para responder com sucesso a uma situação. Se esse processo funciona “corretamente”, então essa pessoa realizou a ação de forma inteligente, emocionalmente e cognitivamente falando.

Estresse e liderança

O estresse está diretamente ligado a cada uma das seis principais causas de morte: doenças cardíacas, câncer, doenças pulmonares, acidentes, cirrose do fígado e suicídio. O estresse foi apelidado como a doença do século 20 e está rapidamente se tornando a doença do século 21 também. Quando um líder encontra uma situação estressante, uma cascata de neurotransmissores e hormônios é liberada em seu organismo, resultando em um aumento de curto prazo na força, na concentração e no tempo de reação. Essas modificações podem ser úteis para a resposta inicial a um evento estressante, no entanto, se a tensão torna-se suficientemente elevada durante um período de tempo longo, os efeitos deteriorantes no organismo se seguirão.

A versão inicial da descarga de neurotransmissores e hormônios no organismo começa a afetar os principais sistemas cerebrais. Muito estresse “desliga” o córtex pré-frontal, ou o CEO do cérebro, que controla os processos “superiores” a nível de pensamento, resultando em uma queda no QI e na capacidade de controlar a amígdala, que é o centro das nossas emoções. Está comprovado que o estresse reduz temporariamente o QI (Arnsten , 1998).

Com isso a amígdala cerebelosa, que desempenha um papel importante nas nossas respostas emocionais, fica sem o devido controle tornando-nos sensíveis e elevando o estado emocional.

Dessa forma, o líder perde uma quantidade significativa da capacidade de “controlar” suas emoções, tornando-se não só temporariamente prejudicado cognitivamente, mas também emocionalmente inteligente!

Fernando Santi

Escritor dos livros Ser+ com Qualidade Total, Ser+ em Gestão de Pessoas, Manual Completo de Coaching, Ser+ com Equipes de Alto Desempenho. contato@fernandosanti.com.br

1 Comment

  1. Conhecei o blog agora e me apaixonei, adooro! já coloquei nos favoritos, bjss

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