*Por Antonio Augusto Beraldo

Quem dentro de qualquer corpo funcional de uma empresa não passou pelo desprazer em conviver com um “chefe” e/ou “dirigente” grosseiro, mal-educado e egoísta?

Não é absolutamente incomum encontrarmos pessoas em cargo de chefia, gerência ou direção que não possui cultura de desenvolvimento. Elas apresentam uma configuração da mente (mindset) negativa, que deteriora a confiança dos funcionários no seu grupo e por extensão na empresa. Elas ainda se concentram mais em seu poder do que no bem-estar dos outros, podendo inclusive promover um forte turn-over, do qual sempre se exime de culpa.

Isso, todavia, não é privilégio de “chefes”. Encontramos muitas vezes esse tipo de personalidade em cargos da mais alta relevância. Mas o que fazer quando temos um ou mais indivíduos com esse comportamento?

Primeiro, é necessária uma análise permanente dos líderes da empresa e também do RH, para uma vigilância constante, especialmente na contratação. A avaliação pode ser necessária para muitas empresas porque a soberba de alguns líderes pode, até mesmo, levar a uma perda significativa de dinheiro. Ressalto que é uma missão difícil, pois eles se escondem em atitudes dissimuladas. Todavia, não é improvável conseguir-se bons resultados em uma análise preliminar.

Hoje, estudos e pesquisas recentes remetem essas pessoas a uma condição de portadores de um transtorno que na Classificação Internacional de Doenças é chamado Transtorno de Personalidade Dissocial. Pessoas com esse diagnóstico são usualmente chamadas de sociopatas.

O termo descreve indivíduos com marcado egocentrismo que não têm deferência normal pelas outras pessoas, manipulando-as, como acha necessário, para atingir seus objetivos. Suas armas são o charme, a sedução, a intimidação e a violência, usadas, assim, progressivamente, de modo cada vez menos sutil, no caso de as outras pessoas não se comportarem da maneira como ele deseja.

No estudo da Industrial-Organizational Psychologist, os pesquisadores Silverman, Russel E. Johnson, Nicole McConnell e Alison Carr identificaram que a empáfia dos superiores atingiu o descontrole. De acordo com a pesquisa, os funcionários arrogantes, em geral, apresentam desempenho pobre, além de criarem situações de estresse para os outros colaboradores da empresa. Os pesquisadores acrescentam, ainda, que pessoas com esse tipo de comportamento são mais propensas a criar um “ambiente venenoso”.

O problema se torna ainda pior quando se trata de cargos mais altos. Por exemplo, um gerente arrogante está menos disposto a ouvir ou oferecer feedback. Ou ainda está mais propenso a manter seus subordinados em uma posição desagradável, impossibilitando promoções ou mesmo novas oportunidades.

E embora muitas pessoas acreditem que a arrogância é um traço de personalidade, os pesquisadores caracterizam o comportamento como uma série de condutas voltadas ao exagero do senso de superioridade de uma pessoa, e pode chegar ao ponto de menosprezar os outros. Para os cientistas, esse tipo de comportamento trata-se, na verdade, de um processo defensivo que ocorre parcialmente em resposta à baixa autoconfiança.

Enfim, o que se apresenta como quadro quase insolúvel, a rigor dá os caminhos para o conhecimento do caráter desses seres. Por exemplo: adoram o poder; se fazem de vítima; são pessoas sedutoras; manipuladoras e cínicas; não sentem remorso pelo que fazem e jamais sentem culpa.

Portanto, estar atento a essa conduta se presume de grande importância ao bom desempenho dos corpos operantes das corporações.

*Antonio Augusto Beraldo

Atuou na área de comunicação por 46 anos. Foi professor da ESPM, especialista em comunicação pela New York University e em criatividade pela Buffalo State University é certificado como Practitioner (terapeuta) em EFT, e Personal e Executive Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching. Palestrante em Desenvolvimento Humano.

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