Nossa leitora Betânia Tavares, da cidade de Belo Horizonte, pós-graduanda em arteterapia e psicologia analítica junguiana, me fez os seguintes questionamentos acerca de uma questão levantada em sala de aula. Foi quase uma entrevista, a qual compartilho aqui na íntegra:

“Com toda essa velocidade que nossa sociedade vive, como fica a questão do tempo para terapia? Apesar dos recursos, a tecnologia é realmente um grande aliado para que tais terapias possam ser desenvolvidas? Particularmente, sou da opinião que sim, é possível; mas à minha exceção e do professor, meus colegas não creem na efetividade de um processo assim. Por outro lado, também reclamam da urgência de seus clientes/pacientes que já chegam atrasados para as sessões e ainda avisam que precisam se retirar mais cedo. Vejo a tecnologia positivamente como uma ferramenta de aproximação entre as pessoas, seja pela distância ou pelo fator tempo mesmo. Outra questão surgida foi que nem todos, a grande maioria, possuem condições financeiras para manter uma terapia, mesmo que seja breve. Os programas de saúde governamentais que oferecem “gratuitamente” tal serviço à população, remuneram mal o profissional que, ainda assim, se dedica por horas diárias. Enfim… A população que pode pagar terapias não tem tempo e a população que tem tempo, não possui renda. Além disso, não há uma cultura de valorização da importância de se cuidar e preservar a saúde mental. Como profissional de Psicologia e comportamento humano, como você vê essas questões?”

Fale Betânia, quantas perguntas em uma só! Vamos lá, por parte:

1- Apesar dos recursos tecnológicos, a tecnologia é realmente um grande aliado para que tais terapias possam ser desenvolvidas?

Resposta: Com certeza absoluta! Hoje a tecnologia é uma grande aliada na terapia reduzindo até mesmo o custo do atendimento por parte do profissional, que pode atender de qualquer lugar, desde que seja reservado, e se mostram tão ou mais eficazes quanto a presencial! Agora tem que ver como é a atuação de alguns profissionais que prescindem do presencial.

2- Por outro lado, também reclamam da urgência de seus clientes/pacientes que já chegam atrasados para as sessões e ainda avisam que precisam se retirar mais cedo:

Resposta: Vejo duas questões aqui: Por um lado a real correria por parte do paciente, que vive um dia a dia agitado, sobretudo nas grandes metrópoles. Sr. terapeuta, dê-se por satisfeito que ele foi, apesar dos infortúnios, se isso ocorreu, ele se mostra, de fato, interessado, o que é bastante positivo! E, quanto a pedir para sair mais cedo, pode ser, de fato uma necessidade. Por outro lado, reveja a sua atuação, pois se o tempo de sessão, 50 minutos estiver se tornando longo, pode ser que o paciente esteja ficando impaciente, contando os minutos para voar dali. Isso já não é bom e nem saudável, pois quando o tempo é, de fato, produtivo, ele não passa, voa. Quando menos esperamos, terminou a sessão e já nos vemos ansiosos pela próxima.

3- Os programas de saúde governamentais que oferecem “gratuitamente” tal serviço à população, remuneram mal o profissional que ainda assim, se dedica por horas diárias. Enfim… A população que pode pagar terapias não tem tempo:

Resposta: Se o Estado remunera mal, eu parto do pressuposto que ninguém é obrigado a prestar serviço para quem quer que seja, mas uma vez tendo aceitado, isso não pode servir de desculpa para prestar um mal atendimento à população. Quanto a quem afirma não ter tempo para terapia, acredite, isso tem prazo de validade, cada um de nós somos repositórios de sentimentos, emoções e sensações boas e ruins, para as quais precisamos dar vazão, guardando o que nos serve e eliminando o que não serve e processando ou ressignificando o que precisa ser reciclado dentro de cada um de nós para viver de maneira mais satisfatória e harmônica. Só que, infelizmente, encontramos tempo para cuidar do corpo, da mente, do espírito e até do lazer, mas negligenciamos acintosamente (como sempre) as emoções e achamos terapia “caro demais”, quando caro mesmo é a vida! Aí, as terapias passam a fazer mais sentido quando presenciamos tais tragédias e percebemos que nem tudo é “mi mi mi”.

4- (…) não há uma cultura de valorização da importância de se cuidar e preservar a saúde mental (…)

Resposta: Bem, em todas os setores da economia vamos encontrar a questão tempo X dinheiro, por exemplo: Em medicina você encontrava até há algum tempo atrás, clínicas/hospitais particulares e o SUS, depois vieram as clínicas populares (aquelas de bairro para atender a população de baixa renda que também não quer se submeter ao atendimento do SUS) hoje, você encontra clínicas particulares para atender quem não tem plano de saúde, ou seja pela tabela do plano, e assim a indústria vai se moldando, e, da mesma forma, sempre vamos encontrar em psicologia, profissionais para atender a públicos diversos, tudo depende do seu branding e posicionamento de mercado (aí, creio, já é uma questão muito particular, que cabe a cada profissional decidir).

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