Malandro é Malandro e Mané é Mané… com essa frase, que ficou famosa na música de Bezerra da Silva, se resume tudo aquilo que acontece hoje em nossa tão frágil civilização. As pessoas não se preocupam com o coletivo, mas apenas com a sua individualidade. É bonito ser Malandro, ainda que a etimologia da palavra dissesse exatamente o contrário.

Eu já escrevi outros artigos sobre a “coletividade” (que nada mais é do que o trabalho em sociedade, onde o senso colaborativo facilita as conquistas), porém as “vantagens” que as pessoas buscam às custas de “desvantagens” de outros se transformam na saga de “Frankenstein”, onde a criatura ataca o seu próprio criador.

A maioria das pessoas não percebe que ao jogar lixo na rua, estacionar em local proibido, ultrapassar pelo acostamento, sonegar impostos, calotear, não honrar sua própria palavra, não ser pontual em seus compromissos (além de outras tantas atitudes negativas), ajudam a consolidar a cultura desta falta de caráter, que culmina no famoso “todo mundo faz assim” e que, com o tempo, essas mesmas pessoas também se tornarão vítimas de seus próprios exemplos.

O grande paradoxo é que todos querem viver em uma sociedade que os respeite, mas ninguém respeita a sociedade. Querem sempre ouvir a verdade, mas contam continuamente a mentira. Não se enxergam como parte do todo, mas como Malandros que acompanham de longe o caos que eles ajudaram a formar.

O Givers Gain, um dos princípios das sociedades mais avançadas, diz exatamente o contrário disso. É uma forma de ganhar contribuindo, onde o participante se preocupa apenas em contribuir e acredita que fazendo isso, os demais também o farão e ele será, por consequência, beneficiado. Uma bela é infalível forma de crescer, não é?

Portanto, em vez de achar bonito ser Malandro, perceba que na sociedade de hoje isso não cabe mais. E quando, por culpa de alguns, uma sociedade permanece com hábitos descabidos, as consequências são sentidas por todos. Desta forma, todo sujeito que se acha Malandro, está se consolidando como “O Grande Mané”, uma das inúmeras vítimas de sua própria malandragem.

 

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