Formada em psicologia, pedagogia e coaching, Jeanne Lima é a mente por trás do método Marma. A metodologia foi criada após a percepção de um nicho de mercado a ser trabalhado – o coaching de emagrecimento. Por ser um grande nome nesta área, Jeanne propôs a publicação do livro Emagreça sem segredos, da Literare Books, que será lançado em março. Na entrevista, a coordenadora editorial explica sobre ferramentas do coaching utilizadas no processo de emagrecimento e diferencia uma sessão de coaching e uma consulta com o nutricionista.

 Quando e por que você se envolveu com o coaching de emagrecimento?

Eu sou psicóloga e coach de carreira desde 2008. Ao fazer coaching com os executivos, tive muita demanda para emagrecer. Essa procura foi crescendo (entre 2013/14) e um dia me falaram: “Por que você não cria uma metodologia específica para emagrecimento?”. Não existia uma metodologia específica nesta área, então  pesquisei e criei uma – o método Marma. Depois de quatro meses de estudo, criei uma apostila com cerca de 120 páginas. Validei o método, apliquei em algumas pessoas e registrei a marca. Verifiquei seu funcionamento e coloquei no mercado para atendimento e formação de profissionais da área da saúde. Hoje formo nutricionistas, médicos, psicólogos e treinadores físicos para que possam potencializar o trabalho deles com meu método.

Como foi o processo de criação da metodologia Marma?

Pesquisei as ferramentas do mercado, o que havia na internet e na literatura. Tudo colaborou para a elaboração do método, inclusive minha experiência como coach. Ao longo dos estudos, percebi que certas ferramentas poderiam ser utilizadas no coaching de emagrecimento, mas não da forma como eram aplicadas. Então, o “pulo do gato” foi não apenas criar novas ferramentas, mas utilizar as que já existiam de outra forma. Uma delas é a FOFA, eu a uso, mas a aplico de maneira diferente.

Qual o diferencial do seu método em relação ao Coaching de emagrecimento tradicional?

A primeira: a forma como é aplicada a ferramenta. Nós a trabalhamos para expandir o nível de consciência, não visamos o resultado por si, mas a qualidade de processo ao trazê-lo. Outro ponto, buscamos a aceleração de resultados, exigimos metas, como todo coaching. Mas quero que meu coachee chegue lá com sustentabilidade, melhorando continuamente; com a mesma atenção do começo ao fim. Quando as pessoas buscam uma dieta, 90% emagrecem, mas essa mesma porcentagem volta a engordar e, muitas vezes, engordar mais. Isso porque fazem um “prazo de sacrifício” para perder determinada quantidade de quilos e, uma vez atingido o objetivo, esquecem [os bons hábitos].

Na nossa metodologia, quando o coachee termina o processo, está tão fortalecido que sustenta o novo modo de vida sozinho. Então, não é só perda de peso, é autoconhecimento, novo posicionamento perante a vida, trabalhar questões que influenciam a maneira como se relaciona com a comida. A grande diferença é: chego ao meu objetivo, mas inteiro, ou seja, capaz de continuar o caminho. Não farei meu coachee atingir o resultado dele a qualquer custo para depois não poder continuar sozinho, se aquilo não é sustentável para ele.

Outra questão, como não sou nutricionista, mas formada em psicologia, é importante deixar claro: não há dicas de alimentação. Quando alguém começa a fazer o coaching de emagrecimento método Marma, percebe a importância de procurar outros profissionais para amparar suas demandas – um nutricionista, treinador físico, terapeuta ou médico. Não falamos sobre comida, utilizamos instrumentos como a ferramenta de valores – se você não sabe quais são seus valores de vida, está sucumbindo a outras coisas que não gosta.

O que muda entre ir em um nutricionista ou em um coach de emagrecimento?

Quando o coach de emagrecimento não é um nutricionista, indica-se ao coachee a procura da ajuda nutricional. O diferencial de um nutricionista coach é a maneira como ele dialoga com o paciente, pois possui ferramentas para mantê-lo comprometido e focado, sabe ensinar a se planejar e isso agrega. O nutricionista coach não precisa necessariamente fazer sessões de coaching, mas a abordagem dele será diferente, trazendo um resultado melhor para o paciente. Então, pode ser um nutricionista coach, pode ser só um coach sem formação em nutrição, mas caminham juntos.

Para qual público o coaching de emagrecimento é indicado?

Para quem fala assim: “não aguento mais o lugar onde estou”. “Eu me olho no espelho e não me reconheço mais”. Então, é para aquela pessoa que fala: “Por que estou me maltratando tanto?”.  É para a pessoa que diz: daqui para a frente quero ter uma vida mais saudável, mais sustentável, mais feliz e sem tantas desculpas.

Em geral, por qual motivo as pessoas buscam um coach de emagrecimento?

O primeiro deles é realmente a perda de peso. Mas há quem apresente um número “ok” na balança e não esteja satisfeito com o corpo. Aquela pessoa que precisa ter uma vida saudável porque descobriu alguma doença, como diabetes, mas não sabe por onde começar. Não é só a perda de peso, há outras demandas. Os motivos secundários são realmente os verdadeiros, pois ninguém começa a comer [em excesso] se está feliz.

Qual o maior obstáculo para os que querem emagrecer? Por quê?

Quem está acima do peso tem um sabotador muito forte. O que mais se escuta é “Ah, mas eu não vou ter mais vida social”, “O meu marido/esposa cozinha tão bem”. O maior sabotador utilizado – não significa que seja verdadeiro – é a vida social, porque em suas cabeças vão deixar de fazer parte de algo. O problema é que muitas vezes essa vida social tenha levado para onde se está e seja necessário mudá-la. Há pessoas em relacionamentos com indivíduos tóxicos, tão depressivos e negativos quanto elas e, quando percebem isso, mudam de amizades. Elas compreendem que os amigos que ficam não vão perdê-las socialmente. É preciso ter força para dizer: “olha, daqui para a frente meus hábitos alimentares são esses” e os outros respeitarão.