Essa é a história de um Garoto, que muito cedo passou por desafios intensos como a perda de seu pai aos cinco anos e do avô, seu grande amigo aos 10 anos de idade, e assim como ele, todos nós temos grandes desafios e histórias para contar.

Essa ocorreu em uma cidade do interior de São Paulo, nos anos de 1980 a 1982, época do filme ET, onde em um momento no filme, o próprio Extra Terrestre, corria pela rua, e decolava com um menino em uma bicicleta. As corridas de Bicicross, BMX, eram uma “febre”.

Garotos limpavam terrenos fazendo pistas para corridas, um engajamento incrível.

O garoto tinha 12 anos e correr de Bicicross era sua paixão. Estava ansioso para o evento anual que trazia toda a cidade para a beira das pistas, assistir corridas patrocinadas pela rádio, jornal, marcas esportivas da época enfim, eram sempre grandes eventos locais.

60 competidores de toda região preparados para essa competição extraordinária.

5 eliminatórias de 12 competidores cada, totalizando 60 meninos com a adrenalina a mil.

Os 6 melhores colocados de cada uma das 5 corridas, classificavam 30.

Próxima fase, semifinal, 2 eliminatórias de 15 competidores, apenas os 6 primeiros de cada se classificariam para a Grande Final.

Nosso garoto da história já havia passado para a semifinal, e se deparou com 15 dos melhores competidores, a paixão e a concentração ultrapassando limites extremos.

Todos concentrados, a energia da largada era algo sobrenatural.

Tensão total, afinal a preparação da semana e a primeira corrida já haviam gerado um desgaste, agora um número maior de competidores, 15 corredores em busca, ao menos, do sexto lugar.

 

Alinhamento. Todos a Postos!

LARGARAM!!!!!

Todos pedalando ao máximo chegam à primeira rampa que alcançava um salto de até 8 metros de distância, voavam numa adrenalina incrível!

O nosso Garoto se enrosca no ar com 2  competidores.

3 corredores ao chão envoltos a muita poeira.

12 competidores pedalando a mil, porém, ele checando sua situação muito rápido, começa a pedalar, os outros já haviam desistido.

Algo chamou a atenção do público: ele tinha uma Caloi Cross Azul, com rodas e pneus azuis, porém no preparo da semana, ele havia rasgado o pneu traseiro, e na oficina de bicicletas da cidade, não havia o pneu azul para a reposição, somente pneus de cor preta, ou vermelho, ele escolheu Vermelho, pois desde pequeno, esse garoto apreciava o incomum, desde pequeno seguia contra a corrente.

Voltando para a cena, o garoto com um pneu azul e outro vermelho não se conforma em desistir, e já saindo rápido da inércia, checando se algo havia danificado a bicicleta ou ele mesmo, não pensou em nada mais a não ser pedalar, voltar à competição.

 

“Uma queda pode te levar à ultima colocação, porém se essa não é a sua posição, em poucas voltas Você mostrará para quê veio a essa corrida.”

 

Qual era sua meta?

Chegar entre os 6 primeiros, e na cabecinha dele havia algo claro: sei onde quero chegar, estou em décimo terceiro, e minha meta é o sexto lugar, vou chegar na final, ou seja, ele olhou o copo meio cheio, onde outros olharam meio vazio.

Aqui vai a primeira lição nessa história que lhes conto:

 

1-Zona de conforto te paralisa.

Ele não se conformou com as circunstâncias.

Imagine-se saindo da inércia, com todos os outros competidores em aceleração máxima, se alguém na plateia gritasse: “É impossível!”, ou ele mesmo pensasse tal ideia?

Ele teria muitos argumentos a todas variáveis que diziam: desista! E a desistência estaria respaldada pela queda precoce, assim como os outros dois o fizeram, porém ele já pedalava e graças a Deus nenhum desses pensamentos veio à sua mente, ainda bem!

Meta: sexta colocação, apenas 3 voltas, uma pista de uma grande metragem, o que era um fator favorável nesse desafio.

Com a meta clara em sua mente, chegou aos competidores, e ao final da primeira volta ele ultrapassou o décimo segundo, e logo veio a rampa a qual ele havia caído, e aqui posso lhes dizer a segunda lição dessa história:

 

2- Resiliência.

Passando por ali, a frustração pela queda, as emoções poderiam “machucá-lo”, travá-lo, poderia tirar sua performance, porém, absolutamente nada o fez perder o foco, nada o tirou de sua visão e seu propósito da sexta colocação, se classificar para a final, alcançar novo patamar, um novo nível, mas para isso a concentração, consciência e consistência com aquilo que estamos determinados a fazer, precisam ser maiores e mais claros que as nossas dores, não existe nenhuma pessoa que passou por este mundo ou ainda passará, que não teve ou não terá dores. Muitas vezes a dor é inevitável, mas o sofrimento é uma escolha, e está em nossas mãos, na consciência que podemos transformar um revés em algo impulsionador. Às vezes passamos por algo devastador, e com consciência de que tudo tem um porquê, poderemos transformar esse momento em algo que ajudará a vida de muitas pessoas, talvez milhares e milhões, tudo depende de nossa decisão diante de uma experiência. Por menores que possam parecer em nossas mentes, nossas histórias são grandiosas, creia nisso, viva a sua, se conecte com cada momento dela, pense em todos os desafios que enfrentou até aqui, e gere através disso, a mola propulsora para milhares.

 

A vida encolhe ou expande de acordo com nossa coragem!

 

Reconectando à corrida, logo ele chegou ao nono colocado, lembrando que esses adversários eram os melhores das outras eliminatórias, e dali em diante seria complicado as próximas ultrapassagens, porém seu objetivo era claro.

Fim da segunda volta, com energia e foco ele ultrapassa o oitavo e o sétimo colocado, e mesmo com essas conquistas uma olhada à frente parecia impossível chegar ao sexto, sua META estava a uns 20 metros à sua frente e restava apenas a última volta.

 

Na vida existem algumas “provas de classificação”.

Na maioria das vezes que não conseguimos outros patamares, é por que o medo nos colocou na zona de conforto.

Nesse momento, passava sobre sua cabeça todo o treinamento, as dores nas pernas, todo o esforço para aquele evento, e até mesmo a perda de seu pai. Porém, ele tinha como inspiração: A determinação, resiliência, pró atividade e a força de sua mãe, e assim posso lhes contar mais uma lição:

 

3- Preparo e inspiração

A vida é um treinamento, e fazer as mesmas coisas: não praticar a leitura, ou ler livros pela metade, não colocar em prática conselhos, sonhos e projetos, procrastinar, deixar a disciplina de lado, podem ser nocivos à nossa autoestima, pois ela em alta garantirá energia necessária para nos inspirar, enfrentarmos desafios, reveses ou perdas.

A preparação, treinamento, inspiração e a conexão com sua história, te levará a buscar os propósitos ao qual você foi criado para alcançar, e quando encontramos isso, nossos olhos brilham e as pessoas te dirão:

“Você é diferente, tem algo especial!”

Porém alguns dirão:

“Você tem muita sorte!”

 

Ser diferente, ou ter sorte, estão ligados a uma coisa chamada missão, todos aqueles os quais se propuseram a realizá-la, foram pessoas diferentes e de muita sorte. Isso faz sentido?

 

Na corrida, ter se levantado de uma queda, o fez fazer um esforço sobrenatural, ultrapassado seus limites, porém sua meta o impulsionava, trazia a energia necessária para cada uma das pedaladas, e além disso, uma energia extra entrava em cena, a plateia que ali estava vibrava em seu favor, pois estavam acompanhando sua jornada. Veja a importância do grupo onde estás, de quem torce por você.

Essa parte da história nos traz outro ponto importante, uma lição:

 

4- Perseverança.

E como uma história de perseverança é sempre inspiradora, desafiadora e empolgante, ele chega bem perto do sexto colocado na penúltima reta, porém era uma subida.

Podemos imaginar qual o nível de perseverança e cansaço nesse momento?

Nesse momento estar em sétimo lugar, poderia vir novamente um pensamento:

“Puxa, já Ultrapassei vários competidores e todos os limites, estou entre os 22 melhores de toda a competição, sétimo em uma das semifinais já estou feliz.” Porém, novamente, como na primeira lição, ele estava pedalando forte e graças a Deus nenhum dos pensamentos que acabei de lhes dizer veio à sua mente.

 

No fim dessa penúltima reta subida, ele emparelha com o sexto colocado na última curva.

Fizeram a curva juntos, e sentindo a vibração de uma torcida extraordinária, ele ultrapassa e então desce a última reta e alcança rampa, a linha de chegada em SEXTO COLOCADO, classificando-se para a final e sentindo toda a vibração do público.

Essa parte da história nos leva a um ponto importante:

 

5- Comemore suas vitórias!

Imagine-se no lugar desse garoto se classificando para uma final de um campeonato muito difícil, e da forma que havia conseguido, e mesmo sem nenhuma pessoa de sua família ali, a gratidão pelas conquistas pode te levar a um nível maior de entendimento sobre tais assuntos.

Ele era caçula, sua linda mãe era viúva e tinha muitas demandas com os outros filhos, trabalhava arduamente para manter o conforto da família, então, mesmo sozinho, curtiu o momento, a vibração daquele lugar, curtiu o que para muitos pode ser pouco, para ele foi uma experiência vitoriosa.

Havia saído da zona de conforto da queda, venceu medos em cada uma das voltas, ultrapassou limites, venceu aquela voz:

Não vai dar!

 

Cada um, em cada posição, tem uma experiência pessoal que não se pode mensurar, vencer desafios internos e externos, talvez seja mais importante que o pódio.

Assim a frase que diz: “O importante é competir” faz todo sentido para aqueles que vivem cada momento.

Ele nunca imaginava que sua história poderia, depois de mais de 35 anos, ser contada em uma palestra ou nesse capítulo que lhe escrevo com muito carinho e energia.

Essa linda história inspira, e nos dá mais uma das lições:

 

6- Inspire!

Por pequenas que pareçam, cada uma das experiências vividas são poderosas conexões que contam sua história!

Revelo agora quem é o garoto:

Esse Menino sou EU!

Imagino agora, você entendendo melhor os detalhes que contei em toda a história, e saiba que ela havia adormecido por longos anos em minha mente.

Porém participei de treinamento poderoso onde um dos exercícios era lembrar-nos de uma história que nos impactou na vida, que nos trouxesse alegria e força para palestrar, e como um click, Deus me presenteou com essa lembrança extraordinária. Me lembrei de detalhes incríveis e compartilhei aos 30 alunos do curso.

 

Meses depois, em uma palestra para empresários, recebi muitos feedbacks, e um me emocionou grandemente.

Um empresário me procurou no coffeebreak e me disse:

“Rico, sua história me tirou um sentimento que carregava desde pequeno.”

“Fui nadador e era o favorito em uma competição. Toda minha família ali, amigos, na certeza que eu seria o vencedor. Porém na largada, pulamos na água, tive um grande problema: minha sunga veio parar no pé, o que me deixou frustrado até antes da palestra.”

Por anos se achou perdedor e frustrado, e através dessa história, entendeu que apesar de todo o transtorno que enfrentou, não desistiu e mesmo chegando em último, concluiu a prova, e agora recebeu o entendimento de quão importante foi essa experiência vitoriosa, e havia tirado um peso de suas costas.

Ele é vencedor, ele subiu de patamar, venceu todos os obstáculos que o levariam a desistir, bateu no outro lado de uma piscina, chegar ao fim de uma prova de natação, segurando a sunga para não sair, foi a sua grande vitória!

 

Qual a Mensagem com tudo isso?

Chegar em primeiro ou não, é um detalhe para quem tem uma META clara.
A grande vitória está em passar para uma “próxima fase”.

Os desafios de cada um são diferentes em intensidade e complexidade, e a conexão de cada um com a vitória nem sempre é tão forte quanto à conexão em superar o medo de competir.

Só pensar em primeiros lugares pode nos frustrar.

Feito é melhor que perfeito.

A vitória é superar medos, desafios, sair da zona de conforto, é tão ou mais importante que uma taça, medalha ou prêmio em dinheiro, ela ficará incorporada por toda sua Vida, assim como essa história que escrevo a vocês com muito amor, carinho e zelo.

 

Você pode perguntar:

”E o garoto ‘Riquinho Machado’ na grande final, o que aconteceu?”

Percebe como a vitória nem sempre traz toda a importância de uma história vitoriosa?

Na final estavam os 12 melhores daquela competição.

Claro, todo o esforço que passei, mesmo com vontade de vencer, ultrapassei meus limites e cheguei com muita honra em Quarto Lugar, que para mim foi mais que uma vitória em todo aquele contexto.

 

“Cada derrota, revés ou obstáculo em nossas vidas, fazem parte de nossa história de sucesso.”

 

Maior que obstáculos e dificuldades enfrentados precisa ser a CLAREZA, de saber exatamente onde queremos chegar.

 

Qual meu aprendizado com essa história?

 

Aprendi que nem sempre a torcida dos que são próximos é a mais importante.

Aprendi que fazer o meu melhor pode me levar a lugares que muitos nem tentaram chegar.
Aprendi que nem sempre a vitória está no primeiro lugar, pois só eu sei os limites internos que enfrentei para chegar no lugar onde estou.
Aprendi que somos formados por ideias que conectam e resultados que transformam.

Aprendi que meu real valor é um lugar tão exclusivo quanto o primeiro lugar.

 

Aproveite ao máximo o conteúdo deste artigo com nossas sugestões de leitura!