Sim, as lojas ficaram cheias por todo o Brasil desde que a primeira parcela do 13º salário foi paga, em 30 de novembro. Houve muita movimentação pelos centros comerciais, seja em bairros ou em shoppings. Todos estavam atrás de um presente para o amigo secreto, a família, a pessoa amada ou apenas buscando aproveitar promoções, às vezes, até para compensar alguma carência natural do fim de ano.

‘A população voltou a comprar’ foi a manchete de jornal mais esperada do ano, afinal, quando o consumo aumenta em uma ponta, o efeito é sentido nos outros setores também. Só a percepção de que há dinheiro circulando impulsiona a economia.

A fim de que mais notícias econômicas motivadoras continuem a ocorrer, precisaremos estabelecer novos comportamentos financeiros em 2017. E esta não é apenas uma conversinha de educador financeiro. Este será o ano do pague à vista. Para o consumidor, além dos descontos, a vantagem é realmente comprar aquilo que se pode pagar. Para as empresas, que precisam de capital de giro, esse hábito do cliente traz mais dinheiro para a operação, possibilitando que adequem com mais precisão seus estoques e dependam menos de crédito. Bom pra todo mundo!

No próximo ano, também convido você a se dedicar a hábitos mais simples. Já há um movimento mundial chamado simplicidade voluntária, é um estilo de vida no qual os indivíduos conscientemente escolhem minimizar a preocupação com ‘o quanto mais melhor’, em termos de riqueza e de consumo. Independentemente da razão, seja por espiritualidade, saúde, qualidade de vida, redução do estresse, preservação do meio ambiente, justiça social ou anticonsumismo, fica o convite para que reflitamos sobre nossos hábitos, eu preciso de tanto assim? Será que poderia me sentir pleno se comprasse menos?

Infelizmente, a situação atual da economia é muito mais uma supervalorização da demanda do que necessariamente uma queda na oferta. Desde 2005, o crédito foi disponibilizado para os consumidores de maneira quase libertina. Com dinheiro na mão, as pessoas gastaram mais do que podiam. Atualmente temos 39% da população inadimplente e 57% das famílias endividadas. Nessa realidade, poucos conseguem comprar, porém a projeção comercial é traçada de um ano para o outro sempre pensando em ajuste para mais. Então, a expectativa se infla, mas não se concretiza, gerando o desajuste orçamentário para as pessoas e para as empresas.

Ainda sobre o próximo ano, arrisco dizer que teremos uma pequena melhora. Tradicionalmente quando temos seguidamente anos de baixa na economia, como foi em 2015 e 2016, o próximo período apresenta crescimento. De qualquer forma, agora, vale muito mais a prudência coerente do que o otimismo irresponsável.

Desejo um Feliz Ano Novo, cheio de conquistas pessoais e financeiras!

Sobre Pedro Braggio – Há 20 anos, atende famílias e empresas ajudando-os a cuidar das finanças por meio de palestras, cursos, encontros individuais e grupos de apoio financeiro. É graduado em Ciências Contábeis e especialista em Finanças. Desde criança, Pedro enfrentou dificuldades financeiras na família e assumiu o controle do orçamento doméstico aos nove anos. O talento natural o impulsionou a auxiliar mais pessoas no equilíbrio da saúde financeira.

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Dinheiro é bom e eu gosto