A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa muito grave, que afeta mais de 10% das pessoas acima dos 65 anos.

Deixa inúmeras sequelas e limitações, como alterações de comportamento, perda de memória, e gera imenso sofrimento para os cuidadores e familiares dos doentes além dos próprios.

É a demência senil mais comum e tem como característica a lesão de neurônios (células do cérebro) devido ao acúmulo da proteína beta-amilóide que forma placas nos tecidos cerebrais, além da formação de emaranhados de proteínas Tau no cérebro.

Esses fenômenos causam a destruição das conexão entre os neurônios e na própria estrutura cerebral, lesando áreas relacionadas às emoções, pensamento e cognição, memória, movimentação e equilíbrio postural.

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Os medicamentos utilizados para tratar a doença de Alzheimer atuam compensando algumas deficiências no funcionamento do cérebro, melhorando a capacidade cognitiva e algumas alterações do comportamento.

Eles agem amenizando ou retardando os efeitos da demência causada pelo Alzheimer, nas fases iniciais da doença, mas infelizmente não alteram o processo de lesão evolutiva dos neurônios. São apesar disso importantes pois se os doentes não forem medicados o processo tende a evoluir mais rápida e gravemente.

Alguns medicamentos utilizados para o tratamento do Alzheimer são fornecidos no programa de Medicamentos Excepcionais do SUS, a Rivastigmina, Galantamina e Donepezil. São medicamentos anticolinesterásicos de segunda geração.

Estes medicamentos atuam corrigindo o desequilíbrio químico do cérebro e melhorando o déficit de memória no início até a fase intermediária da doença, e possuem efeitos colaterais que podem restringir sua utilização. Nem todos idosos se beneficiam com estas drogas anticolinesterásicas.

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Outro medicamento chamado Memantina é utilizado nas fases moderada e avançada, com mecanismo de ação diverso, atuando como antagonista não competitivo de receptores chamados NMDA do glutamato, e podem ser utilizados em conjunto aos anticolinesterásicos.

O fitoterápico Ginkgo biloba promove vasodilatação cerebral com aumento do suprimento sanguíneo além de reduzir a viscosidade do sangue e reduzir os radicais livres no tecido nervoso. Há algumas evidências que previne a neurotoxicidade do amilóide-β.

Já os efeitos sobre a cognição, demonstraram melhora objetiva na velocidade de processamento cognitivo, além de impressão subjetiva de melhora da memória.

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a vitamina E (alfa-tocoferol) é um antioxidante que combate os radicais livres de oxigênio. como há que o estresse oxidativo pode contribuir para a patogênese da doença de Alzheimer, seu uso poderia ser indicado. Um estudo mostrou que em altas doses a vitamina E reduziu o risco de Alzheimer, mas os efeitos colaterais destas altas doses contraindica seu uso.

Quando há sintomas de comportamento e psicológicos como agressividade, alterações do sono e depressão, podemos utilizar medicamentos antipsicóticos neurolépticos, antidepressivos, estabilizadores do humor.

Os neurolépticos atuam melhor nos sintomas da agitação e agressividade, alucinações e delírios e os antidepressivos na depressão frequente nos pacientes com Alzheimer.

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Somente o médico deverá prescrever os medicamentos mais indicados, a dosagem do tratamento e a duração do mesmo. Qualquer dúvida ou efeito colateral consulte sempre seu médico, nunca altere ou suspenda a medicação por conta própria.

A doença de Alzheimer já foi por muitas vezes denominada diabetes tipo III. Isto significa que seu aparecimento e desenvolvimento também dependem das condições de saúde gerais.

Há indícios que todas doenças crônicas, que geram a presença de radicais livres, inflamação sistêmica, alterações do metabolismo podem desencadear ou agravar a doença de Alzheimer,

Sendo assim os bons hábitos e um estilo de vida saudável que têm o efeito de prevenir as doenças crônicas teoricamente também podem ser úteis na prevenção do Alzheimer, independentes de outras medidas e do tratamento medicamentoso.

Alimentação saudável, atividade física regular, não fumar, gerenciamento do estresse, o sono reparador, relacionamentos sociais e afetivos, essas e outras medidas que melhoram a qualidade de vida podem contribuir para a melhora dos pacientes.

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Há algumas indicações que as pessoas que sempre leram regularmente e praticam atividades como palavras cruzadas, jogos de memória, sudoku e praticam a chamada “ginástica cerebral” tem uma proteção maior contra a demência senil e doenças do sistema nervoso.

O famoso estudo das freiras ou “Nun Study” realizado pelo Dr. Snodown durante anos demonstrou que aquelas que liam mais e escreviam textos mais elaborados apresentavam um melhor envelhecimento cerebral e permaneciam ativas e saudáveis por muito mais tempo do que as que não o faziam.

Também aquelas que vivenciavam emoções e sentimentos positivos como alegria, entusiasmo e motivação envelheciam melhor do que aquelas que tinham sentimentos de medo, vergonha ou culpa.

Embora ainda mais dados sejam necessários, parece que a conclusão de vários estudos é que ao cuidarmos e estimularmos continuamente o cérebro e a mente, é possível que possamos prevenir o aparecimento de doenças neurodegenerativas e da doença de Alzheimer.

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Exercícios relacionados a linguagem e vocabulário, as chamadas Técnicas de Reabilitação Cognitiva  parecem estabilizar o quadro, por períodos variáveis, nos pacientes com Alzheimer leve a moderado.

Treinamento cognitivo de habilidades específicas como memória e linguagem e técnicas para melhora das atividades da vida diária podem ter alguma utilidade e ajudar o paciente a lidar com sua rotina.

Benefícios da Meditação: Estudos realizados demonstram que meditar melhora a concentração, memória e o desempenho escolar, e poderiam prevenir as doenças do envelhecimento cerebral.
Joan Roura, diretor da fundação David Lynch orientou a criação de programas de meditação em algumas escolas também no Brasil, como a escola estadual Presidente Roosevelt em São Paulo e a escola estadual Helio Pelegrino no rio de Janeiro. Segundo ele, “Alunos que meditam são mais tranquilos, mais focados e têm maior capacidade de apreender informações.”

Áreas do cérebro relacionadas com a memória e atenção se tornam mais densas com a prática regular de meditação, segundo pesquisadores de Harvard, Yale e MIT, que obtiveram imagens cerebrais escaneadas comprovando estes efeitos da meditação. Os meditadores regulares também tem adiado o envelhecimento cerebral com redução de algumas áreas, especialmente o córtex frontal.

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Como os cuidadores destes pacientes sofrem grande sobrecarga e apresentam graus variáveis de problemas de saúde física e mental, o que também afeta os pacientes, o suporte e treinamento dos familiares e cuidadores apresenta resposta positiva no comportamento dos pacientes, que apresentaram menos agressividade, melhora da depressão e agitação, diminuição da necessidade de medicamentos e maior tempo de permanência em casa antes da institucionalização.

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Participo no capítulo 16  escrevendo sobre o processo de coaching no gerenciamento da ansiedade e estresse.

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Muita paz e saúde a você e aos seus!

Dr. Roberto Debski

Médico CRM SP 58806

Especialista em homeopatia e acupuntura pela Associação Médica Brasileira

Psicólogo CRP/06 84803

Coach e Master Trainer em Programação Neurolinguística