09- Sou ruinzinho de conversa.

– Ruinzinho como?

– Ah, ninguém presta atenção no que eu falo.

– E o que você fala é interessante? Você ouviria alguém que fala como você?

– Sei lá. Acho que todo mundo conversa do mesmo jeito. Nunca pensei nisso.

– Então, vamos ver se você segue as cinco as regras básicas da boa conversa.

– Ué, e desde quando conversa tem cinco regras básicas?

– Primeira. Você sabe ouvir?

– Ah, para com isso. Ouvir é só…ouvir. Às vezes não presto atenção, mas ouço.

– Pois é, ouvir não é só ficar olhando para o interlocutor com cara de coruja. É preciso dar sinais de que você acompanha a conversa. Acenar com a cabeça, com leves movimentos da sobrancelha, para mostrar surpresa, solidariedade, expectativa.

Além disso, use palavras e expressões de estímulo como, por exemplo, “é mesmo?”, “e aí?, “não acredito”.

– Entendi. Estou reprovado na primeira regra. E a segunda?

– Segunda. Você sabe contar histórias curtas e interessantes?

– Posso garantir com toda certeza: não.

– Comece a colecionar histórias curtas e interessantes. Faça um caderninho para poder se lembrar sempre. Toda vez que ouvir uma boa história, anote. E conte logo em seguida para alguém.

Fique antenado nos assuntos que nos rodeiam: música, literatura, arte, turismo, cinema, esportes. São temas que geralmente agradam. Atenção para não falar demais – gente prolixa é insuportável.

– Isso dá para fazer. E a terceira?

– Terceira. Você é espirituoso, bem-humorado?

– Às vezes. Tenho preguiça de fazer brincadeiras.

– Não precisa e nem deve bancar o bobo da corte. Mas uma conversa interessante deve ser regada com a leveza das tiradas espirituosas.

– Vou tentar. Acho que posso ser um pouco mais leve e bem-humorado.

– Quarta. Você sabe fazer perguntas?

– E desde quando pergunta tem jeito certo de fazer?

– É a segunda regra mais importante da boa conversa. Quem não sabe perguntar, não consegue manter conversas interessantes. Há dois tipos de perguntas: as fechadas e as abertas. Fazemos perguntas fechadas para iniciar uma conversa ou para mudar o rumo do assunto. Por exemplo, Quem? O Zé Roberto. Quando? No começo do ano. Onde? No restaurante vegetariano. Observe como as perguntas fechadas motivam as respostas rápidas e objetivas.

– E as perguntas abertas?

– As perguntas abertas instigam o interlocutor a falar mais. Por exemplo, Como? Por quê? De que maneira? Note que as perguntas abertas não permitem apenas respostas de sim ou não, de certo ou errado. Elas forçam a pessoa a elaborar mais o raciocínio.

– E a regra mais importante? Você disse que essa última era a segunda mais importante.

– Opa, criei expectativa em você. Falando nisso, eu não mencionei como uma das regras, mas criar expectativa é um recurso que você também pode acrescentar no pacote.

– Sim, você aguçou minha curiosidade, qual é a regra mais importante?

– Quinta. Tenha interesse verdadeiro pelas pessoas. Por mais que você interprete, finja gostar ou se interessar, chega um momento em que a pessoa percebe que não está sendo autêntico. Descobre que tenta ser politicão. Para se relacionar bem é preciso ter esse interesse genuíno, sem fingimentos.

– Tem razão. Seguir essas regras não parece ser tão difícil. Vou praticar.

 

Reinaldo Polito

Mestre em Ciências da Comunicação, professor de oratória, palestrante e escritor. É professor de comunicação oral no curso de pós-graduação de Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, da ECA-USP. Publicou 25 livros com mais de um milhão de exemplares vendidos em todo o mundo. Seis de suas obras entraram para as listas dos livros mais vendidos do país. Seu site www.polito.com.br

 

→ Aproveite ao máximo o conteúdo deste artigo com nossas indicações de leitura