Ontem comemoramos em Belém mais um Círio de Nossa Senhora de Nazaré, mais um ano de procissões, traslados, caminhadas e romarias de fé repletas de orações e sobretudo muitas reflexões.

É o momento em que refletimos sobre tudo o que passou e renovamos a esperança no futuro e na humanidade, sobretudo em tempos de drásticas mudanças no campo da política, da economia e das relações, que tendem a ser mais sustentáveis. Quem não servir à sociedade, à comunidade, às pessoas de um modo geral, estará cada vez mais à margem e dificilmente terá nova oportunidade, o resultado das urnas está aí, e não deixa margem para dúvidas. É tempo de mudança!

Neste contexto, a fé, independentemente de religião, ganha cada vez maior importância para preservação da paz e maior compreensão em relação às diferenças, essas aliás, muito importantes para o nosso aprendizado e evolução contínua, desde que tenhamos discernimento, o suficiente, para conviver com os opostos, a começar pela tolerância religiosa. Diante disso, Maria, mãe de Jesus, nos traz profundas reflexões, muitas delas perceptíveis apenas quando temos a grata satisfação de participar dessa grande manifestação de fé e oração do povo paraense, o Círio! Vejamos algumas:

Fé: Nossa Mãe e Rainha da Amazônia é modelo de fé. “Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Com alegria, deu à luz o seu Filho unigênito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egito a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado. Posteriormente, presenciou a ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo” (F. Suárez – J. Yániz, julho 2013).

E como você lida com as adversidades em seus projetos (uma prova, um concurso, um negócio, uma profissão) a cada erro, fracasso ou derrota sofrida? Pensa em desistir ou busca o aprendizado para seguir em frente?

Coragem: Conta-se que a jovem Maria, aos 14 ou 15 anos, naquela época estava prometida a um homem quando recebeu a notícia de que geraria um filho, todas as condições eram adversas, pois naquele tempo, uma gravidez fora do casamento era comparável a um ato criminoso e a mulher a uma “meretriz”, logo, era exposta ao julgamento da sociedade e a todo tipo de represália. Mesmo assim, abraçou o desafio de gerar o filho de Deus, aquele que viria para salvar toda a humanidade.

Agora, imagine por quantos desafios atravessamos hoje em dia em todas as áreas da vida: como você lida com eles seja em casa, no trabalho, na faculdade ou mesmo na igreja? Quantas decisões difíceis você precisa tomar frequentemente que irão impactar a sua vida e a de inúmeras outras pessoas e que estão sujeitas ao julgamento alheio e a todo tipo de reação? Você normalmente persiste ou desiste?

Suspensão do julgamento: E quando estamos do outro lado? Quantas vezes julgamos as decisões, as escolhas ou até mesmo um gesto, um comportamento alheio simplesmente por ser diferente daquilo que acreditamos como sendo o “ideal”? O fato é que em certa medida todos somos juízes e réus, onde avaliamos e somos constantemente avaliados.

A questão é: até que ponto somos capazes de respeitar e apoiar o outro apesar das diferenças?  Como você tem lidado em relação às posições contrárias ultimamente? Pense em quantas vezes você já desperdiçou a sua energia tentando impor a sua posição ao defender uma ideia para alguém que pensa completamente diferente? Você vai conseguir mudá-lo? Qual é o máximo de resultado que vai conseguir? Se pudesse agir de forma diferente, o que e como faria?

Comprometimento: Não raro, nessa época, encontramos pessoas carregando velas de todo tipo: uma casa, uma boneca, uma cabeça, enfim, diversos modelos para fins específicos, muitas vezes caminhando descalças nos acostamentos das estradas em direção à Basílica Santuário, ou mesmo durante a procissão do Círio, pessoas cumprindo a sua jornada de joelhos, outras já engatinhando, outras ainda disputando um lugarzinho na corda que conduz a berlinda. Muitas delas já machucadas, feridas, porém perseverantes em sua fé. Provavelmente, essas pessoas fizeram a sua promessa no silêncio da sua intimidade, talvez sequer tenham vindo a público, mas sabem exatamente o que prometeram em oração e não descansarão até que seja cumprida. O nome disso é comprometimento!

Então, vale como reflexão: você costuma cumprir com a sua palavra ou ignora as suas promessas? No trabalho, você faz o impossível para entregar o seu melhor, nem que isso lhe custe o seu “sangue”, um machucado (muitas vezes na alma), a dor e a frustração ou você é daqueles que, ao primeiro sinal de dificuldade pede para sair? Você honra os seus compromissos mesmo que lhe custe algum prejuízo financeiro ou você os espera cair no esquecimento? Qual a consequência dessas duas posturas para você?

Perdão e gratidão: dentre as inúmeras manifestações por ocasião do Círio de Nazaré, uma muito presente, é, de um lado, o dificílimo exercício do perdão, em relação aos outros e sobretudo em relação a nós mesmos, uma vez que somos tão frágeis e, portanto, suscetíveis ao erro. Mas, quando alcançamos a graça do perdão, temos a inexorável sensação de leveza e de paz tão necessárias para uma vida mais plena e feliz. Por outro lado, experimentamos, entre lágrimas, sorrisos, dor e alívio, o poder da gratidão impresso em cada face, em cada mão com um terço estendida buscando as bênçãos de Nossa Senhora, mãe de Jesus, nosso Salvador.

E você, quem você precisa perdoar para livrar-se do terrível sentimento da mágoa, do rancor ou mesmo do ódio? Quais são as coisas pelas quais você é grato? No dia a dia você tem mais o hábito de reclamar ou de agradecer pelas coisas desagradáveis que lhe acontecem? Por quais acontecimentos você é grato pelo dia de hoje? Que tal fazer esse exercício todos os dias a partir de agora? Topa? Lhe desejo uma vida plena e feliz, hoje e sempre! Como se diz nesse período do ano no Pará: tenha um feliz Círio de Nossa Senhora de Nazaré!

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